A cantora norte-americana Lady Gaga se apresenta na Praia de Copacabana no próximo sábado (03/05). É sua segunda vez no país (a primeira foi em 2012), mas anos após o cancelamento da sua tão aguardada participação no Rock in Rio 2017, em cima da hora, em razão de problemas de saúde - Gaga tem Fibromialgia e Lúpus, duas doenças reumáticas.
A Fibromialgia é uma síndrome dolorosa crônica, que envolve músculos, tendões e ligamentos. A dor, nesse caso, não é um sintoma, mas a doença propriamente dita, o que causa desconforto generalizado e constante. Fadiga, alterações no sono e no humor também são frequentes. Além disso, pacientes podem apresentar sensação de edema nas mãos, dores de cabeça, síndrome do cólon irritável (diarreia crônica) e outros distúrbios gastrointestinais, síndrome de Raynaud (alteração temporária na coloração da pele). Consequentemente, a Fibromialgia prejudica - e muito! - a qualidade de vida dos pacientes.
Trata-se de uma doença silenciosa, de difícil diagnóstico, tida, muitas vezes, apenas como um transtorno psicológico, uma vez que não deixa lesões aparentes no corpo. Mas, na realidade, a principal hipótese é que pacientes com Fibromialgia apresentem uma alteração no funcionamento do sistema nervoso central, ou seja, parece haver uma resposta anormal e inadequada a certos estímulos externos, ou "gatilhos", o que acaba por gerar uma dor desproporcional. Também uma pesquisa realizada em 2002 pela Arthritis & Rheumatism, revista oficial do Colégio Americano de Reumatologia, descobriu que o fluxo sanguíneo na região cerebral que mede a intensidade da dor nos pacientes com Fibromialgia é alterado, o que explica a dificuldade de suportar e limitar a dor.
Assim com no Lúpus, a doença é mais comum em mulheres (entre 70 e 90%), especialmente na faixa entre 36 e 60 anos, mas também pode ocorrer em crianças, adolescentes e idosos.
O Lúpus é uma doença autoimune, ou seja, o sistema imunológico ataca o próprio corpo. Esse processo causa inflamação e provoca lesões no tecido conjuntivo (que forma a estrutura que dá resistência a articulações, tendões, ligamentos e vasos sanguíneos) e também em qualquer parte do organismo, como rins, cérebro e as membranas que revestem o coração (pericárdio) e o pulmão (pleura).
Há dois tipos principais de Lúpus, o sistêmico e o cutâneo. O primeiro é o tipo mais comum, no qual um ou mais órgãos são afetados. O cutâneo manifesta-se apenas na pele (do rosto, nuca, orelhas, colo, couro cabeludo), causando alopecia (queda de pelos e cabelo) e vasculite (inflamação dos vasos sanguíneos da pele). São descritos, ainda, outros dois tipos de Lúpus, o medicamentoso e o neonatal. O Lúpus medicamentoso é secundário, causado por certos medicamentos, em especial hidralazina e isoniazida, e seus sintomas desaparecem quando o medicamento é interrompido. O neonatal é raro e pode afetar filho(a)s de mulheres com Lúpus em razão da "transferência" de anticorpos da mãe para o feto. Na maioria dos casos, os sintomas desaparecem após cerca de seis meses.
A doença atinge majoritariamente as mulheres (90%), pincipalmente em idade reprodutiva, mas os homens, embora menos afetados, podem manifestar formas mais graves da doença. Pode atingir também crianças e idosos.
Embora não haja cura para o Lúpus nem para a Fibromialgia, há tratamento eficaz, que é multidisciplinar e inclui medicamentos, exercícios físicos e acompanhamento psicológico. O objetivo é controlar e reduzir a atividade da doença, de modo a trazer qualidade de vida para o(a) paciente.
Bibliografia
NETO, Eduardo Ferreira Borba et al. Lúpus eritematoso sistêmico. In: Livro da Sociedade Brasileira de Reumatologia. Barueri (SP), Manole, 2019, p. 204-217.
PAIVA, Eduardo S.; MARTINEZ, José Eduardo; PROVENZA, José Eduardo. Fibromialgia. In: Livro da Sociedade Brasileira de Reumatologia. Barueri (SP), Manole, 2019, p. 566-573.
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