Férias, sol e doenças reumáticas: descanso não significa descuido

As férias de verão estão chegando. É o momento mais aguardado do ano, aquele que todos esperam para desfrutar de um descanso merecido para recarregar as energias. No entanto, para quem vive com doenças reumáticas, a palavra de ordem deve ser planejamento.

Neste artigo, vamos retomar alguns pontos essenciais para garantir que o verão e sua viagem sejam sinônimos de bem-estar e não de uma crise inesperada.


A importância da continuidade do tratamento

Um erro comum entre os pacientes reumáticos é suspender temporariamente a medicação durante as férias, seja pelo desejo de ingerir bebidas alcoólicas, seja pela dificuldade logística no transporte dos remédios, seja por simples esquecimento.

Mas os especialistas lembram que interromper o tratamento é um risco elevado, pois a interrupção pode fazer com que a doença entre em atividade. Por isso, é extremamente importante que os medicamentos sejam continuados.


Logística para levar sua medicação sem problemas

Para evitar contratempos, a organização deve começar antes de sair de casa:
  • Comprimidos: a dica é não deixá-los na mala. Eles devem ser transportados em bagagem de mão e em uma quantidade maior do que a necessária para os dias da viagem, pois pode ocorrer atrasos em voos, estradas ou outros incidentes.
  • Medicamentos injetáveis (Biológicos): se for possível, planeje-se para aplicá-los antes da viagem. Agora, se a aplicação tiver de ocorrer durante a viagem, será preciso levá-los. Lembre-se que estes fármacos são sensíveis e exigem refrigeração, portanto, precisam ser transportados numa bolsa térmica com gelo químico. 
  • Documentação: é importante levar uma carta do(a) seu(sua) médico(a) justificando a necessidade de você transportar seringas ou canetas aplicadoras. Esse procedimento pode facilitar o controle de segurança em aeroportos. Também é importante entrar em contato antecipadamente com a empresa de viagem/cia. aérea para saber quais são os procedimentos necessários para o transporte desses utensílios.

Atenção redobrada ao sol

A exposição solar prolongada pode piorar o quadro devido a diversos fatores, como o uso de medicamentos fotossensibilizantes, a sensibilidade aos raios ultravioleta, a ativação do sistema imunológico e a piora dos sintomas cutâneos

Pessoas com Lúpus e Dermatomiosite, por exemplo, têm maior sensibilidade ao sol, que pode desencadear surtos inflamatórios, agravando os sintomas da doença. Quadros como Artrite reumatoide e Espondiloartrites também podem sofrer impacto com o calor extremo e hábitos de exposição inadequados, como exercícios sob sol forte ou falta de hidratação.

Além disso, muitos reumáticos sofrem de fadiga crônica e as temperaturas elevadas podem agravar essa sensação de cansaço, prejudicando a disposição física dessas pessoas.

Também os pacientes que fazem uso de Hidroxicloroquina devem reforçar a proteção solar, uma vez que a exposição direta pode causar o escurecimento da pele.

Alguns sintomas podem surgir após exposição ao sol ou em períodos de calor intenso, tais como cansaço persistente e febre baixa, falta de apetite e perda de peso, dores e inchaço nas articulações, manchas, vermelhidão ou feridas na pele, falta de ar ou desconforto torácico. Se ocorrerem, procure imediatamente seu(sua) médico(a).

Para prevenir que esses problemas ocorram, é muito importante:

  • usar, diariamente, protetor solar com FPS 50 ou superior, reaplicando-o a cada duas horas;
  • dar preferência por roupas leves, de cores claras, com proteção UV, chapéus de abas largas e óculos com proteção UV. Para aqueles que são sensíveis à luz solar devido a medicamentos ou condições de pele, considerar usar roupas de manga longa;
  • evitar a exposição direta ao sol entre 10h e 16h. Pacientes com Lúpus, em especial, devem evitar a exposição solar que pode ocasionar atividade de doença. Se precisar sair, busque sombra ou use guarda-sóis para se proteger do sol;
  • beber bastante água e evitar bebidas açucaradas ou cafeinadas para evitar a desidratação;
  • manter-se em ambientes arejados, de preferência com ventilação natural. Alguns pacientes, como aqueles com sintomas secos e fenômeno de Raynaud, podem ser orientados a evitar o uso de ar condicionado. Mas, se não tiver contraindicações a temperaturas baixas e a ventilação, pode-se lançar mão dos climatizadores e ventiladores quando possível;
  • evitar exercícios extenuantes em dias muito quentes. Opte por atividades mais leves e faça-as durante as horas mais frescas do dia;
  • continuar o acompanhamento médico regular, seguindo rigorosamente o tratamento prescrito. Converse sobre como o calor afeta sua condição específica e se ajustes em seu plano de tratamento são necessários durante o verão, de modo a garantir seu bem-estar durante a temporada de calor.


Concluindo...

Com cuidados simples, mas consistentes, o(a) paciente reumático(a) consegue aproveitar o verão, viajar e manter sua rotina de férias com segurança. A prevenção é a principal aliada para evitar crises e complicações.

Antes de partir, agende uma consulta com o seu reumatologista para alinhar o tratamento e o calendário de medicações e aplicações.

E aproveite o verão com responsabilidade. Lembre-se que o equilíbrio entre o lazer e o cuidado é o que garante que suas memórias de férias sejam apenas de momentos felizes.



Fontes:

Moraes, Daniela de. Férias e pacientes reumáticos: descanso não é igual a descuido. In: "Com a Palavra" (Veja Saúde), 02 jan. 2025. Disponível em: https://saude.abril.com.br/coluna/com-a-palavra/ferias-e-pacientes-reumaticos-descanso-nao-e-igual-a-descuido/. Acesso: 15/12/2025.

SMR - Sociedade Mineira de Reumatologia. Como o calor excessivo pode afetar o seu cotidiano? 18 out. 2023. Disponível em: https://reumatominas.com.br/como-o-calor-pode-afetar-seu-cotidiano/. Acesso: 20/12/2025.





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